terça-feira, 27 de novembro de 2012

(suspensa)mentos

A vida te molda, mas o que te define são as escolhas que você faz. Mas como disse V. Klamt: "já não cabem os desejos nesta pele". Há momentos em que a única escolha é não escolher. Simplesmente... Restar.
Foto por Margaret Durow


Mas, e se eu te pedir que reste perto de mim? Basta ficar perto. Até o silêncio me basta, desde que seja próximo.



quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Os (de)feitos do Horário de Verão

Ela adormeceu tranqüila, no seu mundo digital, todos os relógios se ajustariam sozinhos. E eles se ajustaram. Ela acordou as 7h da manhã, sozinha. Claro, muito claro! Café. Adeus, mamãe! Silêncio. Sobe as cadeiras, sacode os tapetes, abre as janelas. O alarme toca e lá se vão as duas pílulas da manhã. Varre, varre, varre, pano, água cheirosa, torce, torce, passa pano, passa pano, passa! Banho! Corre de toalha para lá, para cá, passa creme, creme e mais creme, amarra o cabelo, grampos, secador, alisa, escova, escova, escova, escova sem parar. Arroz! Ela lembrou que esqueceu de fazer o arroz! Bota a água para ferver. Volta. Roupa... Já sei!, ela disse. O que num dia levaria uma hora de dúvida, hoje ela resolve tudo em um minuto. Jeans, óbvio! Camisa, sim, mas vermelha! O Arroz!!! Azeite, arroz, pó mágico, água, pronto! Roupa, ok. Espelho. Ui credo! Corretivo, pó, pó, pó,... cof, cof, cof. Sombra, lápis, rímel, coisa grudenta! Blush, blush. Pronto! Bem melhor! O arroz!!!! Tudo bem. Tudo bem. Almoço. Rua. No ponto de ônibus ela passou o batom vermelho. E lá vem o amarelinho! A porta se abre e a visão de um par de sapatos faz o coração dela pular. Musica calma, acalma. Ela precisava pensar claramente. Chegando, quase chegando. Ela anseia. Ela planeja, desisto ou não desisto... Ela pega na bolsa um de seus marcadores de livro. Ela se prepara para saltar no ponto. Ela estende a mão para o menino do banco do lado, oferece o marcador, levanta e sai. Ela, catatônica na calçada, esquece do mundo. O coração querendo sair pela boca. Os carros passando. Calor. As pessoas esbarrando nela. Frio. Ande! Ela foi. Tremedeira. Trabalho. Café. E-mail. Trabalho. Sorrisos. Parabéns para você! Ela fala, e muito. Ela faz rir. Ela ri. Muita tremedeira. Acelerada. Cabeça pesada. Como ela sorriu, como ela falou, mas como? Sim, ela falou. Ela sorriu, aquele mesmo sorriso das outras épocas, aquelas... sabe? Ela sorri para o garoto ao lado dela. Ela conversa. Ela faz o garoto sorrir. E como ela faz! E como? Ela pensa em todos eles, os sorrisos que provocou, e se pergunta. Como? Quem é você? Ela sabe. Ela sabe que saiu do eixo. Ela precisa voltar, com calma, mas precisa. Ela esqueceu que ela mesma precisava se ajustar também, assim como o horário de verão. Então ela fecha os olhos, respira fundo e se ajusta. Ela tenta... Mas no fundo só pensa... E qual será o fim do meu marcador de livros?


Ajuste-se!!!!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Advertência: A evocação contínua de memórias pode causar efeitos colaterais graves.


A distância entre a vivência e a realidade causa lacunas e dúvidas, impelindo o ser humano a sobrepô-las com "fatos". 

P.S.: A minha semana foi infernal. Mais uma vez eu cheguei ao meu limite. E mais uma vez eu pensei: Eu acho que vou morrer. Mas eu não morri, ainda estou aqui e a conclusão da semana foi que eu não fiz nenhum avanço, só retrocessos. Eu fiz tudo errado, enganei os outros a mim mesma no processo e ainda continuo pensar em como errar mais. Eu nem sei como explicar. Eu sou um erro, mas agora, nesse instante, isso não parece tão ruim. Ontem sim, mas hoje não. Eu ontem li essa frase num livro, enquanto esperava que o trânsito permitisse que o meu ônibus finalmente me tirasse da minha quinta feira dos infernos. Ela me fez pensar e esquecer por um segundo os meus erros. Desabafei. Fim.

domingo, 23 de setembro de 2012

Hesitações

Caminhar, seguir em frente, mover-se, vagar, se perder, talvez... O importante é nunca ficar parada, de preferência indo o mais rápido possível seja lá para onde for, pouco importa, só vá! A gente não pensa enquanto corre, o tempo passa mais rápido quando a gente corre, o tempo corre ainda mais rápido quando a gente não tem tempo para se preocupar.


Distração, eu não quero viver uma vida distraída, uma vida fugitiva, esperando o tempo passar, esperando... Quando se raciocina, tem-se sempre medo. Eu só raciocino parada com os dois pés bem no chão, ou com os pés para o ar e a cabeça pesando num travesseiro, ou no ônibus... Senhor, como a gente pensa no ônibus!
*****
Às vezes eu fecho os meus olhos e espero um pouco, depois eu os abro novamente só para ver se alguma coisa mudou... Quem sabe se, sem eu ver, alguma coisa aconteça. Tudo o que a gente quer é que alguma coisa aconteça. Não é? Qualquer coisa. E quando algo acontece a gente começa a se perguntar: Será? Por que será?


O meu tempo se esvai enquanto eu fico encarando uma certa esquina, esperando que alguém, seja lá quem ele for, simplesmente apareça. Talvez, no dia em que ele aparecer, todo o tempo perdido não parecerá tão perdido assim, acho até que vou pensar que valeu a pena ter perdido todo aquele tempo por apenas um instante, um simples instante, em que eu vou desejar... Quem me dera se o tempo pudesse parar... Pena que não para, pena que tudo passa tão rápido.


Fotos por Rodney Smith.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Infeliz felicidade


A felicidade...

Foto por Hans Mauli.

 ...é definida pela infelicidade que a segue.