terça-feira, 29 de novembro de 2011

O silêncio das coisas

Quando as cigarras cantam eu lembro do silêncio da minha infância. Naqueles fins de tarde com céu cor de laranja, quando eu me sentava no muro de casa e esperava a chegada do azul profundo da noite. A gente toda passava pela rua enquanto o céu ainda estava colorido, mas no instante em que as cores do dia morriam e o azul da noite nascia, a rua ficava vazia e tudo o que se ouvia era o canto das cigarras. Eu fechava os meus olhos e escutava os zumbidos até que eles se calassem. Aquele canto me acalentava até a chegada do silêncio da noite. E enfim, quando a noite chegava, eu me deitava perto da janela e ouvia o silêncio na brisa, nas folhas das árvores e nas ondas do mar quebrando ao longe...


2 comentários:

Érica Lopes disse...

Linda e tocante poesia!

Amei :D

Bjos

Renata Becker disse...

Feliz que tenha gostado! Eu voltei no tempo vendo o sol se por aqui em casa um dia desses... inspiração instantânea!!!