terça-feira, 10 de agosto de 2010

No escuro

um simples suspiro...
no escuro eu me entrego
deixo de ser e estar
só observo e espero sentir
o único lugar onde estar de olhos abertos não faz diferença
podemos querer enxergar, ou não, mas nada mais importa
aninhe-se na escuridão e espere os sentidos te dominarem
nada mais importa
só sentir...

o que é real? o que é imaginário?
um sonho nunca será uma realidade
a realidade jamais será como um sonho
querer estar desperto ou sonhando?
enquanto sonho, eu desejo
enquanto desperto, eu temo
não existem limitações quando se sonha
escolher acordar cria barreiras

a escolha nunca é minha
apenas os sonhos são (serão) meus
nunca são reais, são apenas sonhos
quem eu seria sem eles?
não seria nem a sombra de quem eu sou
apenas deixe-me sonhar mais um pouco...

as palavras marcam como ferro em brasa
e são tão fugidias como areia entre os dedos
nenhuma delas é um sentença
somente uma ideia, um sonho, minha utopia
não devo mais falar, nem sonhar?
deixar de ser quem sou?
nunca! nunca vou me calar!

fecho os meus olhos para me esconder da luz
brincar de me encolher na minha escuridão
ninguém vai me encontrar
ninguém vem me encontrar
meus gritos são mudos
meus olhos cegos
coração vazio...

as lágrimas não existem
petrificadas selam os meus olhos
um toque... e nada mais...
só é preciso um toque para me acordar
é necessário acordar... eu preciso acordar
onde está? onde está?
onde? o que? quando?
sem jamais saber o porquê.

Um comentário:

poetamatematico disse...

...

Não adianta...

Sempre é preciso abrir os olhos