quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Ser ou não ser, eis a questão

Num mundo em que as pessoas não se olham mais nos olhos. Onde quem não tem no mínimo duas caras não consegue mais sobreviver. E principalmente, num mundo onde estamos rodeados de terrores e medos. Se envolver se tornou impossível. Sem falar que isso, se envolver, também se tornou uma tarefa obsoleta. Hoje em dia as pessoas só mantém um relacionamento com os seus iphone, ipod, ipad, ou qualquer outro i-qualquer-que-seja. Nem se precisa ser da Apple não, pode ser Nokia, Motorola, Sony, etc., basta ter alguma coisa útil para praticar a Arte de se isolar.

Eu experimentei olhar para as pessoas e tentar interagir com elas. Resultado: Me ignoraram. Óbvio, quem é essa inconveniente que puxa assunto assim do nada? Quem é essa psicopata que fica encarando os outros no metrô? Ou melhor, quem é essa louca que sorri sozinha? É, essa sou eu. Mas não se preocupem, depois disso eu coloquei os fones de ouvido e passei a fazer o que todo mundo faz, se isolar. Daí eles começaram até a gostar de mim.

Se eu sou sincera, eu assusto. Se eu finjo em prol da boa convivência, eu não estou sendo verdadeira com os outros e nem comigo mesma. Se eu tento ser eu mesma, eu fico vulnerável. Se eu interpreto um papel, há quem goste de mim, mas há também quem me condene por isso. Mentirosa, manipuladora, falsa, duas caras, perturbada! Eu diria confusa. Só o que eu queria era ser aceita. O meu problema é querer demais.

Houve uma época em que eu não me preocupava em ser quem eu sou, mas daí alguém me disse: "Você é assim toda perfeitinha. Gosta de fazer tudo bonitinho, de deixar tudo arrumadinho.... você compra uma caneta vermelha especial só para corrigir as avaliações dos teus alunos... é tudo perfeito demais. Não dá pra competir. Não dá pra encarar." Por inocência, ou burrice mesmo, eu mudei. Ao menos agora eu podia agradar, não é mesmo? Não! Errado novamente! Impossível agradar quando não te querem por perto.

Quem quer se envolver? Inscreva-se aqui e ganhe um brinde!

Um comentário:

poetamatematico disse...

Não sei. Na verdade, eu admito que já pensei muito sobre isso e hoje não penso mais. Tento ser verdadeiro a maior parte do tempo. Talvez eu seja falso com as pessoas que acabo de conhecer, mais "legal" do que de fato sou.

O lance é que faz um tempo danado que a vida em sociedade me cansa. Cansa porque, sim, é necessário mentir, fingir, etc. Mas eu acho que tem algumas pessoas para as quais isso não seja necessário. Estas eu chamo de amigos. E, são raras, ainda mais considerando-se meus arroubos frequentes onde mando todo mundo tomar no cu sem motivo...

Mas eu sou assim, estourado. Não acho que vá conseguir mudar...

Beijo